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A pedagogia para o autocrescimento: A Maestria e a arte de apontar caminhos-
Por Dirceu Moreira
Vou começar citando uma frase que dá todo o sentido e onde
se baseia este texto: "O Mestre aponta o caminho, o discípulo
segue sozinho até encontrar novamente o Mestre, mas desta vez dentro
de si mesmo". Prof. Henrique José de Souza (filósofo,
líder espiritual, músico, polígrafo, poliglota, tradutor,
e educador).
Agora vou dividir esta frase em três pequenos trechos a fim de que possamos
compreender o que e como os grandes Mestres nos transmitem informações
através de suas metáforas e parábolas.
1º) O Mestre aponta o caminho.
Os verdadeiros Mestres da humanidade ou aqueles que trilham este caminhar
e principalmente os educadores, devem ter como principio que o Mestre não
determina caminho, porque determinar é limitar a competência
do seu aluno ou discípulos. Mesmo com ser humano no início de
sua vida (no seu paidós, do grego=criança) também assim
se processa. À medida que os pais oferecem condições
para seus filhos seguirem seu autocrescimento da dependência para a
autonomia consciente, estará exercendo o papel de Mestres. O sufixo
Grego "agogia" tem o sentido de conduzir, guiar e direcionar, porque
estamos tratando de uma metodologia voltada para o aprendizado das crianças.
Também a própria palavra método de origem Grega significa
fazer caminhos. O Mestre, em qualquer área do conhecimento que ele
atuar não fará caminhos para ninguém apenas o apontará,
porque sua função é despertar e tornar os seus discípulos
conscientes do potencial que possuem, tanto quanto ele que naquele momento
exercia a função de Mestre. Certa vez Jesus Cristo disse: a
tua fé te curou. Ele devolvia para cada um, aquilo que traziam dentro
de si, mas que não estava consciente. Os Mestres não devem permitir
por parte de seus alunos e discípulos em qualquer idade, expressões
do tipo: você é o máximo, você é insuperável,
só você me compreende, sem você eu não teria chegado
aonde cheguei e outras tantas coisas. Estas crenças nos Mestres limitam
a competência dos discípulos e, elas podem ser traduzidas da
seguinte maneira nas entrelinhas do emocional: se ele, o Mestre é o
máximo, o discípulo é o mínimo. É importante
perceber que o verdadeiro Mestre não se coloca no alto para humilhar
ou subjugar seus alunos, trata-se apenas de um estado de consciência
que este adquiriu, mas que o Mestre sabe que seu discípulo um dia chegará
lá através dos seus próprios méritos. Estas crenças
só servem para gerar mistificações e a formação
de "falsos gurus" que permeiam atualmente nossos meios acadêmicos
e não acadêmicos, num estrelismo que chega aos extremos. Se um
aluno se mostra excelente, seu Mestre diz: você é muito competente
e se supera a cada dia. Ele não compara desempenho, mas também
não impede de que seu aluno utilize se das referências do seu
desempenho em relação ao outro, desde que isso não venha
dirimir a imagem do outro em detrimento da sua. Os pais são os Mestres
para seus filhos mesmo antes dos outros Mestres, na escola ou na sociedade.
São os Super Heróis, ainda que na infância não
morram jamais no coração de seus filhos. Quando os pais ao invés
de apontarem caminhos, ao contrário, determinam para seus filhos, estarão
criando uma dependência que terá um custo no futuro deles.
Com relação à educação, mais do que nunca
requer o renascer de uma pedagogia que agregue valores para compreensão
do novo padrão evolucional destas crianças, que a vinte ou trinta
anos atrás nasciam ligadas no 220W, relacionado, portanto ao desenvolvimento
do mental concreto que observa, compara, deduz e decide com base nos fatos,
aquilo, portanto, que é perceptível pelos cinco sentidos, e
com isso sub valorizando a sabedoria em detrimento da memória, da decoreba,
da repetição e das cópias. Quando nascíamos, ficávamos
enfaixados como uma múmia durante um bom tempo e demorávamos
a abrir os olhos. E Hoje? Nascem conectadas no global, no 440w, mas pés
descalços, os fios desencapados e o chão molhado. Esta é
uma metáfora para dizer daquilo que eu entendo do que disse o prof.
Henrique J.de Souza: a 5ª essência, ou mental abstrato ou budico
(eu superior). A partir deste momento o ser humano desperta para uma consciência
de criatividade, por ter o adentrado ao seu Eu Superior, morada da essência
Divina, e isto não implica em que este não esteja presente na
razão e na emoção. Estas crianças parecem estar
em curto o tempo todo. Curto circuito? Não. Curto espaço de
tempo para aprenderem o que tem que ser aprendido. Todas elas? Ainda não,
mas serão. O mundo dará um volta de 360 graus, então
a educação e as novas metodologias terão que ter dado
duas voltas. A metodologia do amor será resgatada no seu sentido original:
o amor sabedoria. Amor sem sabedoria se transforma em tapinhas nas costas,
agrade sempre, pais e mestres bonzinhos. Por sua vez a sabedoria sem o amor
os transforma em pessoas frias e intelectóides. Neste novo caminhar
não haverá trilhos para uma avaliação quantitativa
do processo educacional, mas trilhas onde permeia a flexibilidade e visão
sistêmica e global da constituição do ser humano. A avaliação
qualitativa não despreza a quantitativa, mas une-se a ela e ambas evidenciam
o jogo das polaridades. Todos os dias em sala de aula, o professor atua como
Mestre indicando caminhos nos mais variados sentidos e atendendo muitas vezes
a uma demanda de 30 ou 40 alunos em sala de aula, situação essa
que exige um bom nível de resiliência ou habilidade em lidar
e superar as adversidades do dia-a-dia no processo de ensinagem e aprendência.
Essa resiliência requer que o Mestre tenha trilhado os caminhos tanto
da razão quanto da emoção, da pedagogia, da psicologia,
da mente e do coração, em fim a técnica pedagógica
e o comportamental.
2º) O discípulo segue sozinho:
Quando o discípulo segue sozinho isto não quer dizer abandonado,
porque o Mestre permanece atento ao seu crescente caminhar. Se precisar interferir
o fará novamente sugerindo que repense o caminho. Mesmo no ensino infantil
o Mestre deverá estar atento ao seu papel de conduzir (agogia) porque
os desvios de caminhos são muitos sutis e freqüentes e a isto
damos o nome de experiência. Deve ser compensador quando o Mestre observa
que não ajuda mais seu aluno segurar o lápis ou caneta, que
ele já arruma suas coisas sozinho, que faz suas primeiras operações
de matemática, que escreve, lê, compreende e interpreta. Quando
o Mestre deixa passar despercebido e não celebra estes pequenos acontecimentos,
tornar-se-á mais tarde frustrado porque será incapaz de verificar
o quanto foi importante no processo de auto crescimento do seu aluno. Quando
isto acontece temos a desmotivação. É preciso saber celebrar
a cada passo. Em cada momento deste, o aluno seguiu sozinho e confiante porque
a confiança nasce do apoio e proteção do seu Mestre.
Às vezes temos que compreender que os erros são ensaios para
o acerto e, pedagogicamente aproveitar a oportunidade reconduzindo o aprendiz
para o caminho da autonomia. Estar só exige que tomemos iniciativas,
mesmo que ela seja simplesmente a de arrumar o quarto, quando a mãe
está ocupada com outros afazeres. O Mestre, ao permitir que seu aluno
siga sozinho seu caminho terá sempre em mente as etapas de desenvolvimento
por que está passando seu aluno. Há uma diferença muito
grande entre uma criança de dois anos e outra com três, quando
ambas tiverem, seis e cinco, sete e seis anos, doze e onze e assim sucessivamente,
o caminhar sozinho terá suas diferenças extremamente importante,
além disso, o Mestre deve estar atento aos diferenciais de cada aluno.
Nem todos os frutos amadurecem no mesmo período e todos são
bons frutos da mesma ÁRVORE da VIDA.
3º) Até encontrar o Mestre novamente, mas desta vez dentro de
si mesmo.
Quando o aprendiz vai crescendo e se percebendo no caminho da autonomia, o
Mestre por sua vez apenas e tão somente acena para ele e o cumprimenta
pelo que conseguiu atingir na sua auto transformação e superação
de si mesmo nesta longa caminhada chamada evolução, que podemos
resumir no que dizia o prof. Henrique José de Souza: transformação
de vida energia em vida consciência. Esta consciência o leva ao
maior de todos os encontros: o encontro consigo mesmo, com sua essência
aquela da pedagogia do amor que consiste na sabedoria Divina de poder viver
uma vida pautada no que há de bom, bem e belo neste mundo. Esta transformação
não se deu única e exclusivamente por causa do seu Mestre, mas
porque seu Mestre Interior traz a Essência que pulsa em todas as coisas
e aquele o ajudou a desperta-la. Quando o Mestre não tem esta postura
torna seus alunos dependentes. Por outro lado quando o Mestre é capaz
de identificar no seu aluno o potencial e o facilita a desenvolver, terá
mil razões para se enthusiamar (enthus do grego é divino) com
o progresso do seu aluno e celebrar a sua participação no auto
crescimento dele. Quantas vezes os Mestres se esquecem destes detalhes e deixa
passar despercebido o momento de um reencontro com seu aluno que agora é
um Mestre, não porque dá aulas, mas porque venceu. Mestres,
onde estão seus alunos agora, depois de passados Z, Y ou X anos? O
que estão, ou onde estão atuando? A minha primeira professora
Dona Ondina me conduziu, apontou e ajudou-me nos primeiros passos da vida
acadêmica, depois vieram outras que somaram e cheguei onde estou. E
você professor (a), Mestre (a) onde estão seus ex-alunos? No
meu site tem um projeto que denominei de ALFACE disponível a qualquer
escola que o queira utilizar, não há custo, há apenas
recompensas do reencontro. Eu jamais poderia deixar de citar aqui, aquele
que foi o maior de todos os Mestres do ciclo de peixes: Jesus Cristo. Ele
disse três palavras fundamentais para os fundamentos da pedagogia do
amor. É doando que se recebe. Assim fazem os Mestres doam-se, mas é
importante perceberem também quanto recebem de seus alunos/discípulos.
Peças e receberás. Os discípulos/alunos pedem apoio,
compreensão, prazo, paciência, amor, oportunidade e, os Mestres
por sua vez atende a estes pedidos, mas dentro de uma tônica dos princípios
de justiça e sabedoria, para não cometerem o erro de apontarem
o caminho da dependência. A terceira frase "a quem muito for dado
muito será cobrado", que passou e passa despercebido da maioria
dos alunos. Se pedir, recebemos se doarmos recebemos também, mas há
a contra partida: a responsabilidade. Quando adentramos no caminho apontado
pelo Mestre e seguirmos como nossos próprios esforços, nos tornaremos
Mestres, mas neste caminhar recebemos muito de todos os lados: dos pais, dos
educadores (escola), dos amigos e etc. Crescemos em consciência e quanto
mais isso ocorre, mas nos tornamos responsáveis. O que, como e quantas
vezes você exigia do seu aluno com 4, 6, 9, 15 e etc? Não foram
diferentes em cada uma destas fazes, séries (anos)? A pedagogia do
amor sabedoria nos conduz a um outro estágio de consciência e
em nele chegando, assumimos novas e maiores responsabilidade. Encontrar-se
novamente com o Mestre, mas desta vez dentro de si mesmo é sem dúvida
um novo renascer, porque será um encontro com o principio do TODO que
pulsa dentro de cada ser humano, impulsionado-o rumo à evolução.
Assim os Mestres se comunicam com seus discípulos/alunos, nem sempre
deixando tudo tão claro e obvio, mas muitas vezes o fazem nas entrelinhas,
a fim de despertar neles a eterna CPI - Curiosidade Permanente de Investigação.
Prof. Dirceu Moreira
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