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Anchieta o primeiro educador e empreendedor do Brasil

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A INCLUSÃO DA EXCLUSÃO: chega de efeito sanfona - Prof. Dirceu Moreira
"O que mais espanta os Índios e os faz fugir dos Portugueses, e por conseqüência das igrejas, são as tiranias que com eles usam, obrigando-os a servir toda sua vida como escravos, apartando mulheres de maridos, pais de filhos, ferrando-os, vendendo-os, etc. [...] estas injustiças foram a causa da destruição das igrejas..." Critica feita pelo Pe. Anchieta, conforme citação de Alfredo Bosi em dialética da colonização - Cia. Das Letras 1992.
A critica de Anchieta é pertinente aos dias atuais, de outra forma,
mas pertinente. Acredito, no entanto, que já podemos acreditar nas
mudanças das regras do joguinho "incluir" x "excluir",
saindo do jogo "ganha x perde", para o "ganha x ganha"
e avançarmos em direção ao jogo "ganha x ganha x
ganha", onde a escola, a família e a sociedade ganham, estando
as regras bem claras para os três lados. Anchieta foi também
o primeiro educador a fazer a inclusão, juntamente com o Pe. Vicente
(Bahia) nos idos de 1550, embora naquele mesmo período os Jesuítas
com a "Questão dos Moços Pardos", proíbem a
matricula dos mestiços. Na seqüência o Marques de Pombal
os expulsa do Brasil, ou melhor, os exclui. Pulando um pouco, mas à
frente, no ano 1802 encontramos novamente a exclusão: D. Azeredo Coutinho
funda em Pernambuco um convento, só para meninas da nascente nobreza
e fidalguia brasileira. Vinte anos depois vem o método Lancasteriano
com o propósito de inclusão em grande escala e poucos tempos
depois surge o método Braile (1829). Já por volta de 1852- Gonçalves
Dias, em seu relatório de inspeção, dizia: "Quero
crer perigoso dar-se-lhes (aos aldeados) instrução" e ai
veio mais uma exclusão . No RS mandava se recusar as inscrições
de crianças pretas e dos escravos. Vamos a mais um salto na história
da educação e encontramos mais uma exclusão: em 1879
o Senador Oliveira Junqueira dizia: "certas matérias, talvez,
não sejam convenientes para o pobre; o menino pobre deve ter noções
muito simples". No entanto em 1890 surge mais uma atitude digna de se
dizer inclusão, mesmo que parcial :"o ensino será leigo
e livre em todos os graus e gratuito no primário". De 1920/34,
surgem os grandes pensadores brasileiros em matéria de educação:
Carneiro Leão, José augusto, Afrânio Peixoto, Anísio
Teixeira, Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e outros ligados ao "movimento
dos pioneiros da educação". Nasce a parti daí as
premissas da escola NOVA propondo a mesma oportunidade de educação
para todos, e enquanto essa inclui o estado novo exclui do texto da constituição
o termo "a educação é direito de todos", já
a partir do ministro Capanema dar-se-á uma ênfase no ensino vocacional
e técnico. Em pleno regime militar Paulo Freire, com o qual tive o
privilégio de trabalhar na sua gestão diante da secretaria de
educação de S.Paulo, lança o livro "Pedagogia do
Oprimido". Em 1982 assume o cargo de Ministra da Educação
a profª. Ester Ferreira Ferraz e Darcy Ribeiro cria os Cieps no RJ. Em
1991. Carlos Chiarelli, ainda como Ministro da Educação, declara
que no Brasil "os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que
aprendem e o governo finge que controla". Podemos dizer de mais uma exclusão,
mas também ao mesmo tempo uma grande crítica ao governo, ao
aluno e ao sistema de ensino. Incompetência tríade: escola (ensino),
família (aluno) e sociedade (governo), mas, seria COMPETÊNCIA
se ambos se reconhecem co-responsáveis neste processo. No site www.pedagogiaemfoco.pro.br
há um excelente trabalho sobre a história da educação
no Brasil que vale a pena pesquisar.
Com as declarações de Jontiem (1990), Salamanca (1994), de Washington
(1999), Dakar (2000), de Caracas e Saporo (2002), o fenômeno da inclusão
toma uma outra dimensão e desta vez de ordem global, fazendo com que
os governos sejam cobrados num efetivo e verdadeiro processo de inclusão.
Isto se chama o despertar de uma consciência planetária e irreversível.
Bem antes de tudo isso, no ano de 1932 através do "manifesto dos
pioneiros da educação", o Brasil já se lançava,
como de outras vezes, de forma mais consciente e amadurecido no mundo da inclusão
propondo uma educação de qualidade, embora o primeiro plano
nacional de educação tenha surgido 32 anos depois, e daí
não mais perdeu seu lugar. No ano de 2001 Seguindo estas orientações
de Jontiem e Dakar, o Brasil aprovou o Plano Nacional de Educação
(Lei 10.172), e sua participação a partir da elaboração
de um documento orientador redigido pela secretaria de Educação
Especial com a finalidade de implementar as diretrizes da educação
para todos através de capacitação para os professores.
Estamos apenas cumprindo aquilo que já está definido na Constituição
Brasileira, e mais do que isso, precisamos fazer cumprir uma lei que, se não
foi criado até agora, o faremos neste momento: Lei do direito à
dignidade humana, pelos simples fato de pertencermos ao reino "hominal",
portanto dos homens, e devemos ser tratados como tal. Isto somente se dará
efetivamente através da educação, que desenvolverá
o potencial da inteligência da qual somos portadores, diferentemente
dos animais, que pertencem ao reino "animal". Essa lei prevê
a nossa inclusão no reino "hominal" e não no reino
"animal", como na maioria das vezes vem acontecendo. Basta olhar
para a pirâmide social e verificar que grande parte do povo vive em
regime sub-humano e de miséria, inclusive de educação.
Somente ela poderá dar-lhes as ferramentas necessárias para
que possa sair desta "exclusão". Para isto basta constatar
a realidade, que 16.5 milhões de pessoas são portadores de algum
tipo de deficiência, que são submetidas a viver no isolamento
social. Isto sem contar os problemas da desestruturação familiar,
que representam um grande contingente de excluídos, pelo processo de
marginalização e subvidas que levam, no social, no econômico,
na saúde, no subemprego e para torná-las ainda mais escravas
desta exclusão, falta lhe a dignidade de SER HUMANO, o direito da INCLUSÃO
AO CONHECIMENTO, portanto, a uma escola de qualidade. Mas o que pode fazer
um professor que ganha em média 423,00 por mês, sendo que o maior
perigo da média é um ganhar 180 e o outro 2.000, porque na média,
o que ganha 180 não receberá jamais 1.090,00? Vejam mais um
pouco da inclusão e deste mundo de exclusão vindo diretamente
do orçamento da união, os seguinte investimentos em 2006 no
desenvolvimento da Educação Especial: Aumento de 12,5% (de R$:71,6
milhões para R$:81,8...milhões-(Inclusão).
Porem naquilo que se refere à Valorização e Formação
de Professores e Trabalhadores da Educação Básica: redução
(exclusão) de 31,47% (de R$ 827,9 milhões para R$ 567,3 milhões).
E aí, a educação e seus profissionais estão incluídos
ou excluídos? Pelo que eu penso incluir não é apenas
para "educação especial", e sim para educação
como um todo, do contrário estaremos fragmentando o próprio
sistema, tal qual acontece com os partidos que já estão repartidos,
e ao fragmentar-se corremos o grande risco da separatividade, que é
em si a pior forma de exclusão.
Agora falando em termos atuais, vem por ai o PAC com o propósito de
incluir sem exceções que se propõe: A criação
do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica
(Ideb) e o apoio técnico e financeiro aos municípios com indicadores
educacionais mais baixos são dois dos pontos principais do Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em abril de
2007 pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
e pelo ministro da Educação, Fernando Haddad. Em seu discurso,
o presidente Lula disse que o PDE coloca o Brasil no novo século da
educação e que nada é mais importante do que a capacitação
dos brasileiros. É claro que nesta capacitação deverão
estar incluído todos que atuam na escola e em especial o professor
e, não apenas uma capacitação com um foco técnico,
didático-pedagógico, mas, também no comportamental, porque
a inclusão prevê três linhas de atuação:
o físico, o mental e o psicológico, no entanto a ênfase
para este último vem sendo pouco valorizado. É exatamente ai
onde o professor precisar ser capacitado, ou seja: naquilo que se refere ao
seu auto desenvolvimento através de ferramentas da psicologia. Afinal
de contas todo processo de ensino x aprendizagem se dá a partir de
uma boa relação intra e interpessoal, tal qual cita Gardner,
Celso Antunes e outros sobre estas inteligências. No boletim que recebo
normalmente do www.brasil.gov.br/emquestão não deixou claro
sobre esta capacitação, para a qual já solicitei mais
informações, embora ainda não as tenha recebido. Nele,
são citados os seguintes itens: provinha Brasil, Brasil alfabetizado,
transporte escolar, olimpíada de português, informatização,
cidades pólos, professor equivalente, luz para todos e piso salarial,
onde se cogita que seja de 850,00 até o ano 2010. Uma sugestão
é de que o governo repense este piso, levando se em conta as próprias
palavras do presidente da republica da qual compartilho totalmente e vamos
repeti-la para que fique bem claro: " O PDE coloca o Brasil no novo século
da educação e que nada é mais importante do que a capacitação
dos brasileiros". Assim sendo nada mais justo que investir na educação
e nos seus baluartes com um salário que lhes possibilitem fazer sua
própria auto capacitação e não fiquem dependendo
das secretarias de educação. Sem educação, Sr.
presidente o Brasil jamais alcançará aquilo que lhes está
predestinado: ser a grande nação deste novo milênio, mas
nunca uma nação que se desponto pela manipulação
ou pelo poder em detrimento daquelas rotuladas em desenvolvimento ou subdesenvolvidas,
como tem acontecido às nações que despontaram como impérios
e, todos eles ruíram.
Qual o piso salarial adequado para os educadores? Para isso existem as pesquisas,
que poderão ser feitas junto ao seu próprio publico alvo: educação.
Isto significa fazer inclusão. Os professores e as escolas foram ouvidos
na definição dos investimentos do PAC na educação,
ou apenas os especialistas? Os especialistas são eles que estão
em contato direto com a realidade da escola e do ensino, os demais são
consultores e devem atuar como facilitadores, salvo aqueles que já
passaram pelos ambientes escolares. Gastamos tanto dinheiro com o plebiscito
do "sim" e "não" e, por que não podemos
fazemos o mesmo com a educação? Como perguntar não faz
mal embora o tenha feito várias vezes à Câmara dos deputados
e ao Senado em Brasília sem nenhuma resposta, lá vai mais umas:
qual é a diferença de um professor que leciona numa cidade rica
e outro que exercita a mesma tarefa numa cidade pobre (não é
preciso citar regiões)? As crianças destas cidades não
merecem a mesma qualidade de ensino? Esta eu respondo por mim: elas são
semelhantes nas aparências físicas e de suas cidades, mas em
ESSÊNCIA todas são iguais, porque são portadoras da Luz
Divina que habita em seus corações. Como sugere Romeu K.Sassaki,
não devemos dizer que "aquela criança não é
inteligente" ,mas "aquela criança é menos desenvolvida
na inteligência". Acrescentando, portanto incluindo eu digo: "aquela
criança não teve a mesma oportunidade do que aquela outra",
porque conforma afirma Glen Doman e o prof. José Luiz: toda criança
traz dentro de si o dom da genialidade. Sintetizando tudo isso afirmava o
prof. Henrique José de Souza: "a inteligência é o
espírito de Deus no homem". Daí o grande papel da educação
e dos governantes em se fazer cumprir tal propósito sob a pena de serem
julgados por não terem feito o que poderiam ter sido feito. Desta forma
que tal a política aderir à filosofia do SER e não apenas
o TER, e assim convidamos que os seus representantes pratiquem a máxima
do significado contido na palavra NAMASTÊ: O Deus que habita em mim,
saúda o Deus que habita em você. Este é o caminho da inclusão
que só poderá ser alcançada através da EDUCAÇÃO,
aquela que torna o Ser humano consciente de sua missão enquanto cidadão
não apenas de sua polis, seu país, mas, de abrangência
planetária. Quando falamos de educação estamos falando
e incluindo a tríade indeformável: família, escola e
sociedade, diretamente na proporção da inclusão de Corpo,
alma e espírito.
Você é um livro aberto, leia a si mesmo e encontrará o
tesouro da inclusão pelo dom que lhes foi dado e assim sendo quero
citar o prof. dr. Vicente José Assencio Ferreira: "Não
existe nada mais triste do que ter seu estudo esquecido numa estante qualquer,
depois do enorme trabalho e das horas a fio que consumiu. Só estará
completa a pesquisa, se ela for publicada e lida! E ... criticada (as críticas
sempre existirão)!" Com base no que o prof. dr. Vicente nos conduz
refletir, é importante repensar nossas atitudes quando falamos de inclusão,
se nós mesmo não nos excluímos e desapercebidamente podemos
estar excluindo também os outros. Devemos criticar sim, porém
com coerência, para que ela tenha um caráter motivador e construtivo.
- por Dirceu Moreira
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